Resumo rápido
- A lenda diz que Poseidon cortou a ponta de Corfu para criar um refúgio para Anfitrite, e os guias contam-na a bordo.
- A ilha parece uma massa verde sólida vista da água, o que é o resultado de séculos de cultivo de oliveiras.
- A mesma rocha macia que faz crescer as oliveiras é aquela que o mar esculpiu em arcos e cavernas.
- Corfu e Paxos foram venezianas durante quatro séculos, e os olivais datam desse período.
A lenda que os guias contam
Poseidon, querendo um refúgio tranquilo para Anfitrite, cortou a ponta sul de Corfu com o seu tridente e deixou-a à deriva para se tornar Paxos. O passeio conta esta história na sua própria descrição, que é como sabe que ela será contada no barco.
Anfitrite era uma deusa do mar e esposa de Poseidon, e na maioria das versões da história ela era relutante em relação ao casamento. Uma ilha criada especificamente como um lugar onde ela pudesse querer estar é uma peça bastante transparente de cortejo mitológico.
É uma boa história para ouvir enquanto Paxos se ergue à frente do barco, que é exatamente quando um guia a contará. Uma lenda lida antecipadamente é curiosidade; uma lenda contada com a ilha à vista é outra coisa. O timing é deliberado por parte dos guias, e funciona sempre.
Grutas de Paxos Corfu: o que realmente a formou
Calcário e tectónica, ao longo de muito mais tempo do que uma tarde de trabalho com um tridente. As ilhas Jónicas situam-se onde a placa africana se está a mover por baixo da placa euroasiática, o que tem levantado e dobrado este leito marinho durante milhões de anos.
O que veio à superfície aqui foi calcário, depositado como sedimento marinho e depois elevado. Esse único facto explica quase tudo sobre o passeio: os penhascos pálidos, as grutas escavadas neles, o leito marinho branco que torna a água turquesa, e o solo que faz crescer as oliveiras.
As próprias grutas são o mar a encontrar os caminhos mais suaves através dessa rocha. Onde uma falha ou uma faixa macia encontrava a ondulação aberta do oeste, a água encontrava-a e trabalhava-a, razão pela qual as grutas estão concentradas no lado exposto.
A cobertura de oliveiras e ciprestes de Paxos vista da água na aproximação
Os olivais
A descrição do passeio menciona as oliveiras e os ciprestes que cobrem Paxos, e não é linguagem decorativa. Da água, a ilha parece genuinamente uma massa verde contínua com muito pouco terreno descoberto.
Isso é agricultura, e não natureza selvagem. Paxos tem sido uma ilha de oliveiras durante séculos e os seus olivais são antigos, com árvores cujos troncos se tornaram ocos e se dividiram com a idade e ainda assim continuam a produzir.
A escala da plantação é geralmente atribuída aos venezianos. Veneza governou Corfu e Paxos durante cerca de quatrocentos anos e incentivou a plantação de oliveiras em escala industrial, razão pela qual estas ilhas são verdes de uma forma que grande parte da Grécia não é.
Praia de Erimitis, em Paxos, e as falésias brancas
Erimitis fica no lado oeste e é o nome que o passeio atribui às falésias brancas nos seus destaques. A face da falésia é uma das coisas mais fotografadas do Mar Jónico.
A rocha é pálida ao ponto de ofuscar sob sol forte e cai diretamente em águas profundas. Por baixo ficam as grutas, os arcos e as secções colapsadas ao longo das quais o barco navega.
Há uma praia em Erimitis acessível por terra, que é uma proposta diferente do cruzeiro diurno. A partir da água, o que se vê é a própria parede, que é a melhor parte do negócio.
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Duas ilhas com uma história de origem entre elas. Paxos foi cortada de Corfu, e dizia-se que Antipaxos foi cortada de Paxos no mesmo golpe.
Antipaxos e o segundo golpe
Algumas versões da história dizem que Antipaxos foi separada no mesmo momento, um fragmento mais pequeno levado um pouco mais longe. Outras tratam-na como uma ilha completamente separada.
Geologicamente são a mesma rocha e o mesmo evento, razão pela qual a água ao largo de Antipaxos faz o mesmo que a água nas grutas. Ambas são calcário pálido sob mar cristalino.
As ilhas são diferentes em todos os outros aspetos. Paxos tem vilas, estradas e uma população ativa. Antipaxos tem vinhas, poucos residentes e as praias para as quais os barcos vêm.
Praia de Kipiadi, em Paxos, e o resto da ilha
Este passeio percorre o norte e o oeste de Paxos, o que deixa grande parte da ilha por visitar. Kipiadi, Marmari e as outras praias do leste são alcançadas a partir de Gaios ou por estrada e não fazem parte de um cruzeiro diurno.
Isso é algo que vale a pena saber, não lamentar. Uma viagem de um dia a partir de Corfu abrange as grutas, uma vila e uma paragem para nadar, o que constitui um dia completo e não a ilha inteira.
Quem se apaixona por Paxos neste passeio volta frequentemente para ficar, e essa é a recomendação honesta. Há ferries a partir de Corfu e a ilha sustenta uma semana confortavelmente.
Porque é que a história sobrevive
Porque explica algo que um habitante de uma ilha grega podia ver. Paxos fica perto de Corfu, é feita da mesma rocha e parece um pedaço que se separou. Um tridente é uma explicação tão boa como qualquer outra disponível antes da geologia.
O mito grego está cheio deste tipo de explicação, e as boas são as que estão ligadas a uma paisagem que se pode apontar. Esta é uma delas, razão pela qual ainda é contada em barcos dois mil e quinhentos anos depois.
E faz o que uma lenda deve fazer num dia como este. Dá à ilha uma forma na cabeça antes de se chegar e transforma uma massa verde no horizonte num lugar com razão de existir.
Ouça a história contada ao chegar
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